Movimentos sociais pressionam Dilma por veto ao Código Florestal
Na análise de entidades da sociedade
civil e ambientalistas, o projeto de lei deverá ampliar o desmatamento,
anistiará os desmatadores e prejudicará os mangues.
Os movimentos sociais intensificaram as críticas ao novo Código
Florestal, previsto para ser votado em março na Câmara, e pressionarão a
presidente Dilma Rousseff a vetar itens da proposta, se o projeto de
lei for aprovado pelos deputados. Nesta quinta-feira, cerca de 70
entidades da sociedade civil terão uma reunião com Dilma, como parte das
atividades do Fórum Social Mundial Temático, em Porto Alegre.
No
terceiro dia do fórum social, organizações como a CNBB, MST, Via
Campesina, UNE, WWF e SOS Mata Atlântica anunciaram mobilizações em todo
o país para tentar impea votação do novo Código Florestal, que foi
alterado no fim do ano passado no Senado. Se o texto for aprovado da
forma como está, os movimentos sociais apelarão para o veto da
presidente.
Na análise de entidades da sociedade civil e
ambientalistas, o projeto de lei deverá ampliar o desmatamento,
anistiará os desmatadores e prejudicará os mangues.
Para a secretária
geral da WWF, Maria Cecília Wey de Brito, o texto do novo Código
Florestal brasileiro é “incoerente” com a Rio +20, conferência da ONU
sobre desenvolvimento sustentável, que será realizada no Rio de Janeiro,
em junho.
“As alterações que foram feitas [no Senado] não foram
suficientes para acabar com a perspectiva de aumento do desmatamento e
da liberação de gases de efeito estufa. No texto, existem várias
propostas para reduzir as áreas de conservação”, afirmou. “Dilma pode
não ter sido informada a contento sobre o Código Florestal, nem sobre a
visão da sociedade civil sobre isso”, disse a representante da WWF ao
participar de um debate sobre o código florestal.
Na plateia, ativistas exibiam adesivos com a frase “Proposta de alteração do Código Florestal? Veta, Dilma!”
Marina
Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e ex-presidenciável, analisou que a
aprovação do atual texto do novo Código Florestal abrirá precedente
para a votação de “uma enorme agenda de retrocessos”, e citou projetos
como o da revisão do código mineral e da demarcação de terras indígenas.
“Estão
removendo empecilhos. O Brasil quer passar no teste da sustentabilidade
ou mudar esse teste? Parece que está querendo mudar, em vez de passar”,
disse. “Esse texto é um retrocesso”, declarou Marina.
“Dilma se
comprometeu em vetar propostas que aumentassem o desmatamento e que
anistiasse os desmatadores e está em uma situação complicada. Ou se
indispõe com o Congresso ou com a sociedade. A nossa mobilização é
importante para dar sustentação política para a presidente vetar”,
comentou.
Por: Cristiane Agostine
Fonte: Valor Econômico